O peeling químico pode afinar a pele? | Dra. Luiza Bunn

Desmistificamos a crença de que os peelings químicos deixam a pele mais fina e frágil. Entenda como eles agem renovando e fortalecendo os tecidos.

O peeling químico pode afinar a pele?

Publicado em 2024-05-30 por Dra. Luiza Bunn (CRBM-5: 4832)

Resumo: Desmistificamos a crença de que os peelings químicos deixam a pele mais fina e frágil. Entenda como eles agem renovando e fortalecendo os tecidos.

A origem de um mito comum

"Eu não quero fazer peeling porque ouvi dizer que afina e estraga a pele". Essa é uma frase frequentemente dita em consultórios de estética e dermatologia. No entanto, essa afirmação baseia-se em um mal-entendido sobre o processo de regeneração da pele.

O mito provavelmente surgiu porque, imediatamente após o procedimento (especialmente nos peelings médios e profundos), ocorre um processo visível de descamação. Nesse período, as camadas mais superficiais de células mortas estão se soltando e a pele recém-exposta pode ficar sensível, avermelhada e com uma aparência fina. Contudo, esse é apenas um estado temporário e transitório [1].

Como o Peeling Químico realmente funciona?

O objetivo central de um peeling é a renovação. A aplicação de ácidos (como ácido retinóico, salicílico, glicólico, entre outros) promove uma quimioesfoliação controlada. O que acontece na prática?

1. Remoção do Estrato Córneo: O peeling dissolve e remove o acúmulo de células mortas e envelhecidas que deixam a pele opaca e grossa. 2. Estímulo ao Turnover Celular: Ao remover a camada superior danificada, o corpo recebe um sinal para acelerar a produção de novas células basais saudáveis. 3. Produção de Colágeno: Os peelings que atingem a derme estimulam ativamente os fibroblastos, levando à produção de novo colágeno e elastina.

O Resultado Histológico: Uma Pele Mais Espessa

Estudos histológicos (análise dos tecidos no microscópio) comprovam que, a médio e longo prazo, o peeling químico não afina a pele. Na verdade, ele aumenta a espessura da derme (a camada intermediária onde fica o colágeno) [2].

O resultado final é uma pele mais: - Firme e elástica - Uniforme (redução de manchas e melasma) - Lisa (melhora na textura, poros dilatados e cicatrizes finas)

Ao remover a camada superficial danificada pelo sol (fotodano) e espessar a derme subjacente, o peeling restaura a função de barreira e a vitalidade da pele.

Quando o Peeling pode ser um problema?

Embora o peeling em si não afine a pele de forma crônica, problemas podem ocorrer se: - O procedimento for repetido com uma frequência muito alta, sem respeitar o tempo de regeneração da pele (ciclo de 28 dias). - For utilizado um ácido inadequado para o fototipo (cor) e espessura inicial da pele do paciente. - O paciente possuir condições que prejudicam a cicatrização ou doenças inflamatórias ativas na pele (como rosácea descontrolada).

Importante: A segurança do procedimento reside na avaliação prévia. Apenas um profissional capacitado pode determinar qual ativo, em qual concentração e qual frequência são os ideais para tratar as disfunções da sua pele sem causar danos à sua estrutura natural.